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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O paradoxo de Clinton

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:44_Bill_Clinton_3x4.jpg

OK, também poderia ser do Fernando Henrique, da Dilma ou do Putin.
Mas como o explicador é dos EUA, seguimos com o Clinton como no original.
A foto acima é a oficial do Clinton para seu primeiro mandato.
Ela foi tirada em 1º de janeiro de 1993, mas ele só assumiu a presidência em 20 de janeiro daquele ano.
A pergunta e o paradoxo: esta é uma foto do presidente Clinton? Ou dele antes de ser presidente?
O que você acha?
A explicação, interessante, vem do bam bam bam do departamento de filosofia da universidade de Nova Iorque, Roy Sorensen:
"Vamos pensar assim; uma foto do Clinton não precisa ser uma imagem da extensão espacial inteira de seu corpo. Apenas uma parte representativa de seu corpo, como o rosto, já serve. O mesmo se aplica à questão temporal. Uma foto de qualquer estágio da vida de Clinton é uma foto de Clinton, mesmo uma foto do Clinton bebê é uma foto do presidente Clinton."

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Duas coisas no mesmo tempo e espaço

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:%E5%AD%94%E5%AD%90%E8%82%96%E5%83%8F%E6%B3%A5%E7%A8%BFMud_draft_sculpture_of_Confucius_portrait.jpg

Não conheço o autor deste interessante e perturbador conceito:
"Um monte de argila existe na segunda-feira. Na terça-feira ele foi transformado em uma estátua. Serão a argila e a estátua a mesma coisa? Aparentemente não: a estátua não existia na segunda-feira e não resistiria a uma queda, mas a argila existia e resistiria. Porém, se a argila e a estátua são dois objetos materiais diferentes, como eles podem coincidir? Como podem duas coisas existir no mesmo espaço ao mesmo tempo?'

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O paradoxo da causa e efeito

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Procession_of_Characters_from_Shakespeare%27s_Plays_-_Google_Art_Project.jpg

Quando surgiu uma peça de Shakespeare?
Ou quando se tornou realidade a Nona Sinfonia do Beethoven?
Ora, quando os autores as concluíram, tendemos a pensar com razoável lógica.
Mas o filósofo contemporâneo Richard R. La Croix - que é tão desconhecido e insignificante que nem tem verbete na Wikipedia, mas tem livros à venda na Amazon - pensa diferente.
Seu raciocínio conduz a um paradoxo sem fim:
Se Deus é onisciente ele sabe tudo, inclusive todo o conteúdo de qualquer peça de Shakespeare antes que ele a escrevesse. Ou seja: todas as coisas jamais criadas e feitas já existiam antes de sua existência, Deus as conhecia previamente.
Consequentemente, segundo La Croix,  "a vinda à existência de qualquer composição é um evento que ocorre antes que a causa de sua ocorrência - o que, em cada caso, faz um efeito preceder uma causa".
Estranho, não? Agora estou com a sensação de que este post já existia antes de eu escrevê-lo.
E acho que todos nós devemos ser plagiadores de Deus.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Deus segundo Spinoza


Na verdade esta postagem não é minha mas de meu amigo Mauro, ele também um filósofo, que me mandou prontinha com o seguinte comentário:

Uma pequena injeção de filosofia, a agulha está esterelizada e a dose é pediátrica....


Spinoza, 1632 - 1677


“Para de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade
fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias
teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti."

Baruch Spinoza