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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O quarto do Hubert

Soldier's room

Este é o quarto de Hubert Rocherau, em Bélâbre, na França.
Ele nasceu nesta casa em 1896 e morreu em 25 de abril de 1918, vítima de ferimentos sofridos como soldado na primeira guerra mundial.

Soldier's room

O quarto é grande, tem também esta mesa de trabalho.
Ele foi mantido por seus pais como estava no dia da partida de Hubert para a guerra.
Em 1935 os pais venderam a casa e se mudaram, mas impuseram ao comprador uma cláusula dizendo que o quarto deveria permanecer intocado por 500 anos.
O atual proprietário, Daniel Fabre - que herdou a casa dos avós -, diz que a cláusula não tem valor legal, mas prefere manter o quarto com sua aparência original, incluindo um capacete, fuzil, os cachimbos e uma coleção de pistolas do Hubert.
Quase cem anos se passaram, faltam 400.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Neve? Que neve?

Vejam estas fotos de tormentas de neve:

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Só que não é neve, mas espuma do mar trazida à terra por uma tempestade na cidade portuária de Saint-Guenole, na França.


sábado, 8 de março de 2014

O privilégio de Thierville

A pequena cidade de Thierville, na Normandia, tem um título que nunca será superado.


Ela foi a única comunidade francesa que não perdeu nem um homem nas últimos cinco guerras com a participação da França - a Franco-Prussiana de 1870, as duas guerras mundiais, a primeira guerra da Indochina e a guerra da Argélia.
Com isso, é a única cidade francesa que nunca construiu um memorial às vítimas das guerras.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Trocando propaganda por arte



Anúncios nas ruas podem ser uma chateação.
E finalmente surgiu um paladino que se rebela contra eles.
O cara se chama Etiene Lavie, se define como um artista de rua e um embelezador urbano e está em ação em Paris com um projeto especialíssimo: o bom Etiene está cobrindo anúncios nas ruas com obras de arte, como esta do Eugene Delacroix na foto.
O projeto se chama "Oh, meu deus, quem roubou  meus anúncios?" e é obviamente cheio de méritos, mas eu duvido que vá ter qualquer sucesso.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Um campo de futebol no céu

O francês Benedetto Bufalino produz uma arte excepcional, transformando o quotidiano de maneira sempre genial e surpreendente.
Por exemplo, uma cabine telefônica - tão desprezada depois dos celulares - pode virar um aquário:



E um velho carro de polícia dos anos 70 pode ser transformado num galinheiro completo - mas mantendo, é claro, os cintos de segurança:
A criatividade dele é infinita, tem até um campo de futebol no céu:





  



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Paris, a mais moderna

Até a metade do século 19 Paris era um lixo: imunda, sem esgotos, tudo largado nas calçadas.
Mas no início da década de 1850 Napoleão III contratou o planejador urbano Barão Georges-Eugene Haussman para remodelar a cidade e transformá-la na "mais moderna do mundo".
Tirar uma cidade grande da idade média e traze-la para a modernidade não era pouca coisa, mas o seu Haussman se dedicou muito e teve sucesso.
O fotógrafo Roger Marville foi também contratado, para documentar as mudanças, e seus curiosos registros estão agora em exibição nos Estados Unidos:


Mictório público de 1876. sem telhado, mas um enorme avanço em termos de higiene.


Início das obras de esgoto na rua Constantine, 1865.


O 13º Arrondissement em 1865 - a vida no meio do lixo. O riozinho é o Biviére e os negócios ali eram curtumes.


Obras de transformação do Quartier de L'Opéra.

Nas próximas imagens, Paris antes e depois de Haussman:













quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Euro a euro

Um casal chinês foi a Paris e começou a pagar todas suas contas com moedas de um euro.



Mas o gerente do hotel onde eles se hospedavam ficou desconfiado, começou a pensar que eles eram falsificadores de moedas e chamou a polícia.
Veio a Lei, investigou, investigou e depois livrou os chineses de toda possível culpa..
Eles simplesmente eram amigos de um demolidor de carros da China que recebia automóveis europeus para desmanche e antes da demolição examinava com cuidado cada veículo em busca de objetos deixados lá.
Achou uma pequena fortuna em moedas que os amigos usaram para conhecer a França.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A greve ao contrário

A legislação trabalhista na França realmente quer garantir sossego e descanso aos trabalhadores.
Lá, praticamente todos os tipos de negócio são proibidos de abrir aos domingos, dia reservado para convivência familiar.
Mas há quem não goste.



Os trabalhadores de duas grandes redes de lojas estão promovendo greves e paralisações pressionando o governo para que eles possam trabalhar aos domingos.
A crise econômica bateu forte e eles acham que o comércio aberto no dia de descanso poderia aquecer um pouco a economia.
Nunca tinha visto trabalhador fazendo greve para labutar mais.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

França x EUA, a guerra dos pneus

O chefão de uma empresa fabricante de pneus, a Titan,  dos Estados Unidos, Maurice Taylor, afirmou há alguns dias numa carta ao governo francês que não instalaria uma fábrica naquele país de jeito algum, porque os operários franceses trabalhariam apenas "três horas por dia", ganhando altos salários. A França tinha sugerido Titan que assumisse uma fábrica da Goodyear que estava dando prejuízos e Taylor foi incisivo: "Quão idiotas vocês acham que nós somos?". E acrescentou que teria que ser estúpido para investir lá.
E aí surgiu a guerra dos pneus entre França e EUA.
O governo francês se indignou e o ministro da recuperação industrial, Arnaud Montebourg, declarou que o Taylor demonstrou "uma completa ignorância do que é nossa nação."

Morry Taylor
Taylor: provocando a ira da França
Taylor, que já foi candidato republicano à indicação para as eleições presidenciais de 1996, é conhecido por falar coisas sem qualquer comedimento, e desta vez provocou a ira de toda uma nação. Os sindicatos franceses fizeram manifestações contra ele e o ministro Montebourg conseguiu levar a melhor.

Ele declarou que a França existem 20 mil empresas estrangeiras, empregando 2 milhões de pessoas.
E concluiu dando um tiro no negócio do boquirroto americano: "Posso lembrar ao sr. Taylor que a Michelin, empresa líder mundial, é 20 maior vezes maior que a Titan e 35 vezes mais lucrativa."
E o jornal Le Figaro publicou gráficos mostrando que os operários franceses realmente trabalham menos que os norte-americanos, mas são mais produtivos.
Taylor ainda tentou se safar dizendo que não quis ofender a França, mas que o sindicato da fábrica que lhe foi oferecida tinha "um parafuso solto". Não adiantou.
Mas há quem admita que talvez ele tenha alguma razão quando diz que nas indústrias francesas o pessoal tira uma hora para lanchar, três horas para conversar e apenas três para trabalhar.



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Velocidade máxima

Algo parecido aconteceu no filme Speed, mas na vida real parece ser inédito.
O francês Frank Lecerf teve uma surpresa quando andava com seu Renault Laguna adaptado para  deficientes perto de sua casa em Abbeville, norte da França. Uma simples freada fez o carro acelerar sem controle até sua velocidade máxima de 190 km/h. E nada o fazia parar.
Frank entrou numa autoestrada, se meteu a buzinar para afastar os motoristas da frente e chamou a polícia, que mandou uns carros batedores.
E se foram em direção ao Norte, passando por Calais, Dunquerque e entrando na Bélgica.





Três postos de pedágio foram avisados e levantaram as cancelas para deixar o comboio passar. Frank entrou em contato com a Renault, mas a fábrica também não tinha solução para o problema.
E assim seguiram até um final feliz: uma hora depois o carro parou por falta de gasolina e Frank o largou numa vala na beira da estrada. Só então se permitiu ter dois ataques epilépticos.
Ele estava a 190 quilômetros de casa.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Calças liberadas em Paris

Senhoras e senhoritas, relaxem: em sua próxima visita a Paris vocês poderão usar calças sem correr o risco de serem presas.
Caiu agora, por iniciativa do ministro dos direitos das mulheres, Najat Vallaud-Belkacem, uma lei de mais de 200 anos que proibia as parisienses de usar calças compridas.
A legislação até foi relaxada em 1892 e 1909, com emendas permitindo o uso de calças para mulheres dirigindo uma bicicleta ou cavalgando.



De lá para cá ela resistiu a várias tentativas de revogação, com os governos alegando que o assunto não era prioridade ou que a lei era uma parte da "arqueologia jurídica" da França.
Finalmente o Vallaud-Belkacem conseguiu sucesso, argumentando que a lei contrariava a constituição que prevê direitos iguais para homens e mulheres.
A lei vem do tempo da revolução francesa, quando os rebeldes passaram a usar calças ao invés dos culotes preferidos pela nobreza. Asim nasceu a expressão sans-cullotes, mas quando as mulheres quiseram também usar calças o seu direito foi negado.
Os revolucionários não eram tão fãs assim da famosa egalité.
Há muito tempo que nenhuma mulher era presa por usar calças, mas a própria existência da lei era discriminatória.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Que tal uma escola sem tema de casa?

E esta agora?
O governo francês quer acabar com os temas de casa nas escolas do país.
Segundo o presidente François Hollande, a medida é igualitária, porque os deveres de casa seriam mais difícil de serem realizados por crianças que vivem situações domésticas difíceis.
Por essa ótica a ideia parece excelente. Mas está dando a maior discussão.
Muitos pais e educadores dizem que o tema de casa ajuda as crianças a entender desde cedo as responsabilidades da vida. Mesmo pais de crianças pobres - que seriam os prejudicados pelo sistema atual - dizem que o tema é bom porque as crianças ficam em casa estudando ao invés de ir para a rua e cair na vida.

Sala de aula na França: a carga horária deve aumentar
Tem outras coisas: estatísticas demonstram que a qualidade do ensino na França está decaindo, e o fim dos temas de casa é parte de um pacote. A carga horária total seria aumentada e as crianças francesas começariam a ter aula também nas quartas-feiras, hoje esse é um dia folga. Mas a carga horária de cada dia seria menor - o que deixaria as crianças com mais tempo livre.
Educadores vão debater muito a questão, mas tenho certeza de que as crianças estão adorando a ideia. E, em vários outros países, já deve ter muito pirralho querendo se mudar para a França.